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No ano de 2013, renda média agrícola recua no sul de Minas Gerais, efetivamente em média o setor agrícola não obteve retorno econômico-financeiro para os produtores.

Publicado: Quarta, 29 Janeiro 2014 17:34

Por meio deste relatório, buscamos analisar os resultados anuais do índice de preço recebidos (IPR) e índice de preço pagos (IPP), pelo setor agropecuário na região sul de Minas Gerais. O IPR reflete o comportamento da renda do produtor. Foram levantados mensalmente os preços de 42 produtos divididos em quatro grupos de maneira ponderada, através da metodologia de Laspeyres, no período que compreende janeiro a dezembro de 2013. O IPR apresentou em média uma queda de -7,19% porém, sendo que alguns grupos pesquisados obtiveram resultado bem superior a este valor. Comparando o IPR geral com o índice de inflação governamental do período, Índice de Preço ao Consumidor Amplo, IPCA, que foi de 5,91% no ano de 2013, mostra que houve uma descapitalização do produtor rural ainda maior do que o valor apresentado pelo índice.

A economia brasileira é muito ligada ao setor rural, pois foi este o propulsor do desenvolvimento industrial do país, apesar de vir perdendo importância econômica em relação aos outros setores, a agricultura é de importância fundamental para o país. É uma atividade brasileira que apresenta resultados de competitividade elevados, sendo que em algumas cadeias produtivas ameaça a agricultura de países desenvolvidos, que tem de utilizar pesados subsídios para a produção de seus agricultores.

O Grupo dos grãos (milho, feijão e arroz), apresentou queda, exceto nos meses de janeiro, março e junho, o que acarretou na queda acumulada anual de -15,26%. A queda foi decorrente da superprodução ocorrida no ano de 2013. Analisando individualmente este grupo de commodities, a safra de grãos no Brasil fechou o ano com recordes de produção conforme anunciado, o que acarretou em uma elevada oferta do produto durante o ano todo fazendo com que o balanço entre oferta e demanda pendesse mais para o excesso de produto e assim sendo, com maior quantidade de produto no mercado menor o preço do produto, conforme explica o coordenador da pesquisa, prof. Renato Fontes.

O grupo das hortaliças sofreu muitas variações nos preços, devido à sazonalidade da produção e fatores climáticos. Dessa forma, o clima determina a oferta e a oferta determina o preço. Contudo, o grupo apresentou o maior valor percentual em aumento acumulado, no ano, de 20,94% Vale ressaltar o elevado valor que alguns produtos hortícolas apresentaram no ano, em destaque o preço do tomate, que atingiu valores extremos para o produto, no qual este se tornou o grande vilão na mesa dos consumidores, principalmente no mês de abril, isto ocasionado pela baixa oferta da hortaliça e demanda constante.

Assim como o grupo das hortaliças o grupo do leite acumulou no período de janeiro a dezembro de 2013 um aumento de 10,79%. Esse aumento foi algo inesperado pelos próprios produtores, que após os dois primeiros meses de 2013 estavam desanimados com seguidas quedas no preço do mesmo. Porem após o final de março o leite começou à apresentar seguidas elevações em seu preço, acarretando em um acumulado final bem mais alto que o esperado até mesmo pelos especialistas. Podemos destacar nessa fase de elevação do preço do leite tanto o próprio aumento da demanda por parte dos consumidores quanto a falta da oferta do mesmo. Isso ocorreu devido à baixa produtividade dos pastos que reduziram a produção individual do gado leiteiro.

Já o grupo Café, no acumulado de 2013, apresentou queda de -26,62% e apesar da exportação do café ter aumentado em quantidade no ano de 2013, a baixa do preço da commodity fez com que a receita acumulada com as vendas reduziu. Sendo assim ocorreu uma desvalorização porque a oferta aumentou de forma mais acelerada do que o consumo mundial pode suportar. Portanto com maior oferta do produto no mercado e faltando demanda para cobrir esse excesso de oferta, os preços apresentaram seguidas quedas neste ano.

Quando analisado comparativamente o índice IPCA com os grupos que compõe o IPR, nota-se que somente os grupo do leite (10,79%) e dos hortifruti (20,94), supera o IPCA, o grupo dos grãos com (-15,26%) teve queda e grupo café além da perda de (-26,62%) ainda, sofreu mais uma perda pelo IPCA, o que gerou uma perda efetiva de 32,53%, no ano de 2013 para a cafeicultura.

Na análise efetiva de ganho e perda dos grupos que compõe o IPR, o grupo leite e dos hortifruti obtiveram ganhos reais de renda, enquanto o grupo café e o grupo dos grãos apresentaram perdas efetivas na renda e em média podemos afirmar que mais um ano o setor não respondeu economicamente e financeiramente de forma satisfatória para os produtores rurais.

 

Renato Elias Fontes
Professor DAE/UFLA

Universidade Federal de Lavras •

Departamento de Administração e Economia •

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